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Nova pagina 4
Título: Tentação à italiana
Autores: Gonçalo Junior ISBN: Páginas:
Formato:
Acabamento:312 páginas
26 cm x 36 cm
Capa duraEditora: Opera Graphica Lançamento: 1a. edição especial em português - 2005 Preço e formas de pagamento:R$ 590,00
R$ 499,00
Ou parcele em até 18 vezes
Sinopse:Com cerca de 540 ilustrações, este belo livro é uma mistura de biografias com rigorosas análises de toda a obra dos três mestres dos quadrinhos eróticos italianos - Milo Manara, Guido Crepax e Eleuteri Serpieri. Traz também perfis de outros artistas do gênero - todos italianos - e um ensaio sobre a pioneira 'francesinha', Barbarella. A Gazeta Mercantil, data: 21/10/2005, por Regiane de Oliveira, diz: Sedução em quadrinhos, o livro analisa a arte erótica de autores italianos desde os anos 60. Os desenhos, apesar do bom traço, mostram apenas mulheres bonitas cujos corpos foram corrompidos pelas atitudes lascivas e perversas de seus criadores. Não se trata de arte, apenas baixa pornografia! Durante muito tempo, argumentos como esses foram usados para censurar e rotular as histórias em quadrinhos eróticas. Subestimadas até mesmo pela imprensa, muitas publicações tinham como pano de fundo algo mais aterrador que sexo: tramas ousadas e com bons enredos de cunho político, social, psicológico e libertador. O que poderia ser mais imoral? E do calor dessa discussão que nasceu o livro Tentação à Italiana - Um Perfil dos Mestres do Erotismo Contemporâneo (Opera Graphica Editora), escrito pelo jornalista e apaixonado por histórias em quadrinhos Gonçalo Junior , autor entre outros de A Guerra dos Gibis (Companhia das Letras, 2004). O livro traz uma análise da obra de autores italianos da arte erótica, com destaque para Guido Crepax, Milo Manara e Paolo Eleuteri Serpieri. Artistas muitas vezes considerados de segunda categoria, os três são criadores cujo trabalho ainda não recebeu o devido crédito. Mas suas estrelas não precisavam da mídia. Eram mulheres normais, sem super-poderes, com profissões comuns, secretárias, fotógrafas, donas de casa. Lindas, inteligentes, de bom gosto, tinham um diferencial importante: estavam à frente de seu tempo. Independentes, exploram todo o seu potencial feminino e sedutor nas descobertas do sexo sem culpa.
Essas personagens representavam as mulheres sonhadas pelos homens. Se elas realmente existiram? Paolo Eleuteri Serpieri chegou a afirmar certa vez que sua personagem, Druuna, criada na década de 80, uma sensual mulher de fartas e definidas curvas, poderia ser brasileira. A brincadeira do autor tem um fundo de verdade. "Druuna está repleta de elementos brasileiros em suas características físicas", escreve Gonçalo Junior. É uma personagem que busca se aproximar das mulheres reais. Guido Crepax, por exemplo, o pai da fotógrafa Valentina Rosselini, publicada pela primeira vez em 1965, montou o DNA da personagem com fragmentos de outras mulheres. Valentina foi criada à imagem e semelhança de Elisa Crepax, mulher do desenhista; tinha um penteado à la Lulu, personagem de Louise Brooks (1906-1985) no filme mudo "A Caixa de Pandora" (1929); personalidade curiosa da francesa Barbarella, outra personagem de quadrinhos que fez sucesso nos anos 60, e a atitude e o corpo esguio da atriz francesa Brigitte Bardot. A jovem de Crepax, para o autor do livro, "encarnava a nova mulher que nascia com a libertação do sexo provocada pela pílula anticoncepcional". Ela representava as mulheres que lutavam contra a submissão e o machismo. "Masturbava-se, tocava em seu corpo, expressava seus desejos, transava com homens e mulheres e não abria mão do prazer literal, de ter orgasmo, de sussurrar e não só dar prazer ao companheiro. Mesmo que, às vezes, tivesse que recorrer aos sonhos", escreve Gonçalo Junior. O grande (e pretensioso, admite o autor) desafio, era fazer; com que as pessoas olhassem por trás do erotismo e fantasias de suas mulheres e conhecessem a genialidade desses autores. Conseguiu. O livro é resultado de um trabalho de pesquisa cuidadoso que leva o leitor a uma criativa viagem erótica. Gonçalo Jr. vai à Itália de Benito Mussolini, no mal da década de 30, investigar a inquisição que levou ao banimento das publicações de quadrinhos americanos no país - acusados de propagar o american way of life. Nessa época, até mesmo o interplanetário Flash Gordon, bastante popular no período, foi punido por ser considerado subversivo. Segundo os fascistas, afirma Gonçalo, "o ditador Ming (inimigo número um do americano) não passava de uma representação deformada e proposital do II Duce". Mas é no cinema, nos filmes de Federico Fellini (1920-1993) e Luccino Visconti (1922-1975), entre outros diretores, que o autor de "Tentação à Italiana" começa a delinear as principais influências dos quadrinhos eróticos. Combinados, o cinema, a nouvelle vague e teorias como a psicanálise formaram um terreno fértil para o desenvolvimento de novos estilos que tiveram continuidade. O erotismo italiano persistiu como uma verdadeira "escola de sacanagem". A "brasileirinha" Druuna, de Serpieri, nasceu, nos anos 80, como uma versão mais moderna, ou "futurista" da célebre Valentina. No mesmo período, foi criada Cláudia Cristiani, de Milo Manara, uma jovem elegante e contida que se transforma numa ninfomaníaca descontrolada capaz de fazer sexo com um desconhecido no cinema, ao lado do marido.
Freqüentemente reduzido a um mero pornógrafo, Manara foi um dos artistas que mais experimentaram o gênero erótico.Entre seus trabalhos estão obras em que se coloca no papel do personagem, para viver a "aventura da vida". Fez ainda adaptações literárias como a de "As Aventuras de Gulliver", de Jonathan Swift (1667-1745), que resultou no livro "Gulliveriana" (1996), ou a clássico erótico "Kama Sutra", de Mallanaga Vatsyayana, em 1997. Manara defende-se das acusações, afirmando que "o sexo é elemento componente determinante da cultura". Críticos e leitores liberais afirma que "havia em suas entrelinhas um propósito libertário da mulher”. Para ele "Cláudia, mesmo sem querer, aparentemente, confrontava a hipocrisia das relações e das normas religiosas que regulam há milhares de anos a conduta social ocidental". Na visão de Milo Manara quando as pessoas vivem plenamente a própria sexualidade rompe-se com o embrutecimento social. Quem sabe esse não seria o segredo da paz? Gonçalo Junior também é jornalista e vive em São Paulo desde 1997. Escreveu os livros "País da TV" (Conrad, 2001), "Alceu Penna e as garotas do Brasil" (CLUQ - Clube dos Quadrinhos, 2004), "A guerra dos gibis" (Companhia das Letras, 2004), "Tentação à italiana" (Opera Graphica, 2005) e "O Homem-Abril" (Opera Graphica, 2005). Como roteirista, criou "Claustrofobia" (Devir, 2004), ilustrado por Júlio Shimamoto.
The Book's On The Table
- 2005 |
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